segunda-feira, 18 de abril de 2011

.Saudade se traduz como?.

Como se traduz a saudade? Fico me questionando, me interrogando, me perguntando como traduzir em palavras esse sentimento tão avassalador, que quando aparece toma conta de nosso corpo, e nada nem ninguém pode aplacar a falta do ser, do objeto ou da coisa que desencadeia tal ausência!

Uma coisa é certa, há dois tipos de saudade - aquela nostálgica, em que você é levado por boas lembranças, bons momentos ou boas recordações de um momento ou ainda de uma situação. Um filme no qual o enredo nem sempre foi um final feliz, mas aquelas emoções de um tempo de outrora foram tão boas que se tornaram inesquecíveis em nossa memória. Há a outra saudade indizível, que te dilacera, que te corta como um vento frio na cara, aquela em que te consome por dentro, e nada pode aplacar algo tão intenso...

Nada pode aplacar? Talvez, a 'coisa' que te desperte tal sentimento possa abrandar a tua abstinência pelo objeto de tua saudade, pra que todo esse vício venha a ser saciado e nutrido pela 'coisa' tão cobiçada, no entanto, nem sempre isso acontece, dai a angústia vem e com ela a tristeza e outros sentimentos nem sempre bons, e nesse momento só a tua saudade latejando no teu peito e fazendo-te lembrar que há nesse mundo alguém pelo qual teu coração devaneia por um infinito segundo, e te faz pensar ainda que esse alguém está fora da tua realidade...Gostaria muito de colocar nessas linhas alguma fórmula mágica que fizesse exterminar a saudade, mas como sou de carne e osso não a possuo, então despeço-me com uma frase de Caio Fernando Abreu em letras garrafais e um trecho de uma canção:


 
"E ME DÁ UMA SAUDADE IRRACIONAL DE VOCÊ"



"It's a quarter after one,

I'm a little drunk,

And I need you now

Said I wouldn't call

but I lost all control and I need you now

And I don't know how I can do without,

I just need you now"

[Need You Now - Lady Antebellum]



Ouvindo: "Wish You Were Here" - Pink Floyd.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

.Um emaranhado de ideias.

          Ultimamente, minha cabeça anda um fervilhão de ideias, tenho vontade de escrever tudo ao mesmo tempo, e com essa frenética necessidade de não-sei-o-quê acabei dando um tempo do meu cantinho de retalhos...

         Às vezes, é bom darmos uma pausa e observamos tudo o que acontece ao nosso redor, pegar os detalhes, as minúcias, os pequenos olhares e transformar toda essas informações em experiências ou como no meu caso em textos! Quando estou no ônibus, geralmente, vou prestando atenção em cada detalhe das pessoas, sorvendo cada paisagem do meu itinerário, e, também no ritmo frenético como encaramos nosso dia-a-dia, com esses pequenos detalhes comecei a me questionar: será que somos o nosso próprio "lobo mau"?  Estamos tão preocupados com o nosso 'mundo' que tudo ao nosso redor não nos tem importância. Acabamos como pequenas ilhas.

      Cada pequeno detalhe, que nos passa desapercebido em nossos dias é uma pequena forma de não darmos conta que o grande prazer está no sutil, no não-revelado, ousaria atraver-me a dizer que nas estrelinhas estão os grandes tesouros que precisam ser descobertos por nós pobres mortais...Um dia espero achar meu tesouro escondido, em algum lugar por aí...

       Um lindo dia para todos(as)!

sexta-feira, 25 de março de 2011

.Um pouco do meu eu.

     Acho que a literatura tem me afetado demais em algumas coisas que penso, meus autores preferidos conseguem traduzir em palavras aquilo que sinto, anseio, questiono e quero - como meu estado de preguiça está em estágio avançado, não escreverei hoje, apena scolocarei  alguns fragmentos da minha outra metade literária: Caio Fernando Abreu - deixo-vos com ele:


"Não vou enlouquecer, nem me matar, nem desistir. Pelo contrário: vou ficar ótima e incomodar bastante ainda."


"Eu juro que da próxima vez que nos vermos eu já estarei ótima e morta de paixão, mas não será por você novamente, eu juro! "


"Engraçado, não gosto do meu quarto - das paredes, dos móveis -, mas gosto demais das coisas que posso ver pela janela. Das coisas que estão fora dele, porque o que está aqui dentro eu acho muito parecido comigo."


"Aprendi a amar menos, o que foi uma pena, e aprendi a ser mais cínica com a vida, o que também foi uma pena, mas necessário. Viver pra sempre tão boba e perdida teria sido fatal. "


"E se eu te olhar cem vezes, acredite, em cada uma delas estarei me apaixonando um pouco mais."


"Não posso esperar. Tenho tudo pronto dentro de mim e uma alma que só sabe viver presentes. Sem esperas, sem amarras, sem receios, sem cobertas, sem sentido, sem passados. É preciso que você venha nesse exato momento. Abandone os antes. Chame do que quiser. Mas venha."


      Ainda, há uma vasta obra para ser colocada aqui, mas esses são alguns trechos que me identifico nesse momento, porque sou um ser em constante mudança!

quarta-feira, 23 de março de 2011

.Quebrando a rotina.

          Como de costume tenho meu ritual diário - minhas obrigações rotineiras, digamos assim - e, desde ontem estou com uma baita laringite, logo, nesses termos muitas coisas não serão realizadas por minha pessoa já que estou forçosamente de molho, pois o fato é, sou uma pessoa sistemática e não sou muito fã em abrir mão da minha rotina, porém quando é aquela rotinha enfadonha, cansativa, chata, ninguém curte, no entanto, a minha é prazerosíssima adoro acordar  bem cedinho e ir pra academia me sinto realmente pronta pro resto do dia, ainda chegar em casa e preparar meu café da manhã tentar organizar a minha bagunça tomar um belo banho, e fazer o que mais gosto: estudarrrrr...Oh que coisa boa!!!

          Mas, eis que hoje meus pequenos prazeres não foram possíveis de serem realizados, porque nem da cama levantei (rs), vontade zero de comer, sem coragem pra absolutamente nada,mas infelizmente uma aula de 'apenas' 04h ininterruptas me aguarda - preciso de força e coragem, e let's go! toda essa introdução serviu para chegar onde queria: será que estamos aptos para quebrar nossas rotinas?

          Algumas observações podem ser feitas por aqui, mas que não são nem de longe uma verdade absoluta, apenas divagações insensatas! Vamos a elas, tenho tudo tão perfeitinho na minha vida, meu trabalho, minha casa, meus amigos, minha família e vem a vida (mais uma vez ela ), com sua enorme sensatez, e: pimba - a rotina é quebrada, seja através de um novo emprego, uma mudança de lar, novos amigos, um novo amor ou até mesmo uma doença, nesse momento somos obrigados a sair de nossas 'zonas' de conforto e vivenciar o que nos está sendo colocado, e por decerto não sei explicar muitas vezes o novo é tão bom, bom mesmo, no entanto, o novo assusta principamente aqueles que acham ser seus pequenos mundos algo pronto e acabado - tudo funciona perfeitamente - só que a  vida não é linear e suas vivencias são feitas de acontecimentos e tais acontecimentos que nos oportuniza ou não novas emoções que nos dão a oportunidade de irmos além do sonhado...Por isso, que é sempre bom arriscar-se e dizermos: carpe diem...

segunda-feira, 14 de março de 2011

.Entrelinhas.

          Fazia tempo que não postava nada da minha escritora favorita (Clarice Lispector, óbvio..!), e nada melhor que começar a semana com os escritos clariceanos, com uma sensibilidade ímpar capaz de mexer com o nosso subconsciente mais profundo...

          Antes de deixar os breves textos extraído do livro "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres" preciso informá-los da magnitude que é esse livro, um romance tocante, pois percorremos as páginas ávidas por descobrir o desfecho daquela história. Meu fascínio pelas personagens (Loreley/Lóri e Ulisses) é imensurável, a aprendizagem de Lóri até seu verdadeiro encontro, não apenas de prazer , mas de alma com Ulisses faz com que tenhamos a esperança de dizermos: o verdadeiro amor existe, e nos 'espera' em qualquer esquina dessas da vida...(Grifos meus)


"Um dia será o mundo com sua impersonalidade soberba versus a minha extrema individualidade de pessoa mas seremos um ."
(pág. 73)


   "De algum modo já aprendera que cada dia nunca era comum, era sempre extraordinário. E que a ela cabia sofrer o dia ou ter prazer nele. Ela queria o prazer do extraordinário que era tão simples de encontrar nas coisas comuns: não era necessário que a coisa extraordinária para que nela se sentisse o extraordinário."


"Ele se mexeu na cama. Então ela falou:
- Você tinha me dito que, quando me perguntassem meu nome eu não dissesse Lóri, mas "Eu". Pois só agora eu me chamo "Eu". E digo: eu está apaixonada pelo teu eu. Então nós é. Ulisses, nós é original."
(pág. 148)


"[...] Pois assim era com Ulisses: eles se haviam possuído além do que parecia ser possível e permitido, e no entanto ele e ela estavam inteiros. A fruta estava inteira, sim, embora dentro da boca sentisse como coisa viva a comida da terra. Era terra santa porque era a única em que um ser humano podia ao amar dizer: eu sou tua e tu és meu, e nós é um.
Até que Lóri mais profundamente adormeceu e a escuridão foi toda dela.
Depois de pouco tempo despertaram e tanto Ulisses quanto Lóri procuraram com a mão a mão do outro.
- Meu amor, disse ela.
- Sim?
Mas ela não respondeu. Então ele disse:
- Nós dois sabemos que estamos à soleira de uma porta aberta a uma vida nova. É a porta, Lóri. E sabemos que só a morte de um de nós há de nos separar. Não, Lóri, não vai ser uma vida fácil. Mas é uma vida nova. (Tudo me parece um sonho. Mas não é, disse ele, a realidade é que é inacreditável.)"
 (pág.150)



          Depois desses trechos tão profundos vou respirar um pouco, e absorver (mais uma vez) a magnitude dessas palavras...Uma excelente semana a todos!

domingo, 13 de março de 2011

.Mais do mesmo.

          O ser humano é realmente muito complexo, como de costume gosto de observar as atitudes alheias, e nada melhor que as redes sociais para tal ação. Nessa minha volta compreendi o quão estamos condicionados a aprovação alheia, nossas ações resumem-se em demonstrar o quanto somos felizes fazendo de nossas vidas uma super exposição desnecessária.

          Algumas situações foram bastante recorrentes nessa minha 'voltinha': a quantidade de amigos é algo surpreendente - pude perceber que quantos mais amigos tenho adicionados ao meu perfil mais me qualifico a ser uma pessoa de alta popularidade, logo presume-se que pessoas populares são pessoas mais felizes, certo? Nãooo, nem sempre a quantidade de amigos te dá o 'passaporte' para verdadeiros amigos, na minha humilde opinião menos é mais; a descrição do perfil é algo assim que poderia dizer no mínimo chocante, porque existem definições dignas de uma boa análise freudiana, e ainda há os casos das citações, que pelo perfil da pessoa percebemos o quanto ela tem um 'profundo conhecimento' do autor em questão; agora o que realmente me chamou atençao foram os albuns de fotos - fiquei chocada - todas as pessoas são tão felizes, sempre estão nas melhores baladas, sempre possuem um monte de amigos, sempre estão com as roupas mais grifadas e por ai vai. É uma imagem clara de como a maioria é feliz, ninguém tem dor de barriga, dor de cabeça, dor no dente (ah isso é coisa de pobre), todos vivem num lindo mundo cor de rosa, e isso lembra-me uma frase de Nelson Rodrigues: "A unanimidade é burra!" - e querer dissimular atos ou ações sempre é a coisa mais cafona que possa existir.

          Muitos terminam seus romances pelo twitter, que coisa mais prática e original, porque assim nem desperdiço o meu precioso tempo com um ser que nem mais tem importância. Ainda, tem aqueles que fazem uma descrição bem detalhada do seu dia-a-dia, o que fazem, o que fizeram ou o que irão fazer. Posso saber o que uma pessoa que mora por exemplo na "Conchichina" faz, pra isso basta ter o endereço do twitter dela. Fico assustada com o nível disso tudo.

     Não quero dizer aqui nessas linhas, que ter vários amigos, usar as melhores roupas ou ter vários carimbos no seu passaporte é algo esnobe, longe disso, pois não curto extremismos, o que quero deixar claro é que tudo que fizermos para tentar seguir padrões que nos é imposto tende a ser superficial, raso, sem nenhuma utilidade, o grande barato da vida é sairmos da nossa zona de conforto e partirmos rumo ao desconhecido sem nos preocuparmos que o fulano ou beltrano irá pensar!

sábado, 12 de março de 2011

.Vida de solteira.

          Hoje, estava eu no salão fazendo as unhas, e como de costume estava observando o comportamento humano, enquanto papeava com a manicure que dizia ter "me achado séria" (será que passo essa impressão?) era testemunha ocular de um monte de mulheres falando das suas obrigações domésticas, ao atentar para os relatos simplesmente deu um 'estalo', porque enquanto eu estava ali com uma ressaca braba da noite anterior, as outras estavam falando do marido, filhos, empregadas, etc. Não vou negar que de início senti um vazio enormeee, pois nessa cidade enorme estou simplesmente só, sem nenhuma meia furada para o meu pé gelado (rs), mas depois relaxei, porque quando saísse dali ia passear calmamente  a pé pelo bairro fazendo um dos meus programas favoritos: tomar um café mocha ou cappuccino na Starbucks e comprar meus cuppcakes (vício que não tem fim)...

          Depois desse episódio resolvi fazer uma pequena lista das vantagens em ser solteira:

     Quando estamos namorando alguém, de alguma forma precisamos dar uma certa satisfação do que fazemos, na solteirice isso não acontece - saímos sem lenço, e sem documento, soltinhas na marola prontas pro que der e vier;
     Além, de não termos obrigações com maridos / namorados e afins, não temos obrigações com filhos - nessa minha caminhada de hoje, senti um 'mini-pânico' ao deparar-me na fila de uma grande livraria com uma mãe e seus dois rebentos, as crianças, não paravam de mexer nas coisas, a mãe não sabia se pagava ou se olhava as crianças! Quem me conhece sabe o meu fascínio por crianças e a vontade de ser mãe, mas depois desse episódio preciso rever meus conceitos;
     Ir pra balada e conhecer os potenciais sapos que podem virar príncipes, sem que 'interação' da noite passada vire um namoro;
     Passar o domingo na cama simplesmente fazendo nada, sendo feliz na melhor companhia do mundo: a minha;
     Suspirar e se emocionar assistindo a comédias românticas, e ainda sonhar com aquele final feliz;
     Tirar boas lições com Carrie Bradshaw e sua trupe, porque cada uma do quarteto tem uma visão diferente de relacionamentos.


          Não me importo mais em ser uma 'trintona' solteira, muitas vezes atribuímos a nossa felicidade a um companheiro e nem sempre estar ao lado de alguém é um passaporte para a felicidade, aprendemos com a vida a valorizar a nossa companhia, mas claro que isso não é uma regra, pois temos muitos exemplos de mulheres que se submetem a migalhas de amor, seja em um casamento, seja em um namoro ou outras relações problemáticas. Quero sim aproveitar essa fase e ser feliz, porque são nos 'acasos' da vida que as coisas acontecem...E viva a solteirice!


 P.S1: Esse post demorou mais ou menos duas horas pra ficar pronto, pois as minhas obrigações de solteira fizeram-me interrompê-lo para que pudesse lavar a louça que estava acumulada e preparar meu jantar!
P.S2: Quanto a cor do esmalte ousei em pintar de escuro - rsrs - tá bom do velho "Renda"...!